Sinto falta da época que eu não
precisava enviar meu currículo para todos os lugares possíveis e que minha
única preocupação era passar no exame de química. Não me entenda mal: eu gosto
do modo que vivo hoje, eu gosto dessa vida de faculdade e eu amo o que escolhi
estudar. Mas não posso dizer que não sinto falta da vida “fácil” de
pré-adolescente – não que minha mentalidade tenha evoluído muito da época que
eu tinha 14 anos, as vezes até acho que eu tô cada vez mais vivendo uma falsa
adolescência. Eu realmente confio mais na Érica de 4 anos atrás do que na Érica
de 2013. Ou é a minha falta de autoestima falando. Não sei.
Mas voltando a falar de nostalgia.
Eu sofro de uma nostalgia crônica. Eu sinto falta de como era chegar numa aula
e ser recebida com carinhos e brincadeiras bestas por meus amigos. Acho que na
verdade eu sinto falta de passar tempo com meus amigos. É muito confuso, quando
se muda meio que drasticamente de vida: tu te acostuma aquela vida bacana de ir pra escola e falar
bobagem com teus colegas e tem que ir pra um lugar completamente diferente com
pessoas diferentes num turno diferente. Tu tem que fingir ser séria, ou ao
menos fingir saber alguma coisa dalí. Eu não sei. Acho que tenho um principio
de sociopatia. Não é que eu não queria ser amiga das pessoas, eu não consigo.
Eu não sei fazer amizades e nem aparentemente manter apenas um assunto num
texto.
Queria voltar a cantar Quase Amor do
Reação acreditando que eu não chorei por você. Queria ler (pasmem) Crepúsculo
pela primeira vez para me apaixonar por livros, de novo, pela primeira vez.
Queria receber de novo um primeiro elogio por algo que fiz. Queria poder voltar
a cair no chão e não passar duas semanas reclamando de dor feito uma velha. Queria
voltar a minha festa de 15 anos e dançar a valsa direito com meu pai. Queria
ler Harry Potter na minha infância para poder dizer que cresci com ele.
Não me entendam mal, eu gostei de
crescer. Meu sonho de infância era fazer 18 anos e parar aí. Por enquanto tô de
boa. O que não gostei foi de perder um pouquinho de mim mesma a cada
aniversário comemorado. Sinto que sou cada vez mais uma ilusão, uma casca
daquilo que um dia um fui.
Minha vida se resume a nostalgia.
Não gosto de pensar no presente, eu gosto de lembrar e de planejar – e nunca
realizar. Parafraseando o incrível John Green (ou melhor, sua mítica esposa,
the Yeti): Imaginar o futuro é um tipo de nostalgia. E eu vivo assim, numa
transe entre o passado e o futuro, no limbo chamado nostalgia.
Érica
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