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terça-feira, 25 de junho de 2013

Um breve desabafo de mais uma madrugada nostálgica.

            Sinto falta da época que eu não precisava enviar meu currículo para todos os lugares possíveis e que minha única preocupação era passar no exame de química. Não me entenda mal: eu gosto do modo que vivo hoje, eu gosto dessa vida de faculdade e eu amo o que escolhi estudar. Mas não posso dizer que não sinto falta da vida “fácil” de pré-adolescente – não que minha mentalidade tenha evoluído muito da época que eu tinha 14 anos, as vezes até acho que eu tô cada vez mais vivendo uma falsa adolescência. Eu realmente confio mais na Érica de 4 anos atrás do que na Érica de 2013. Ou é a minha falta de autoestima falando. Não sei.
            Mas voltando a falar de nostalgia. Eu sofro de uma nostalgia crônica. Eu sinto falta de como era chegar numa aula e ser recebida com carinhos e brincadeiras bestas por meus amigos. Acho que na verdade eu sinto falta de passar tempo com meus amigos. É muito confuso, quando se muda meio que drasticamente de vida: tu te acostuma  aquela vida bacana de ir pra escola e falar bobagem com teus colegas e tem que ir pra um lugar completamente diferente com pessoas diferentes num turno diferente. Tu tem que fingir ser séria, ou ao menos fingir saber alguma coisa dalí. Eu não sei. Acho que tenho um principio de sociopatia. Não é que eu não queria ser amiga das pessoas, eu não consigo. Eu não sei fazer amizades e nem aparentemente manter apenas um assunto num texto.
            Queria voltar a cantar Quase Amor do Reação acreditando que eu não chorei por você. Queria ler (pasmem) Crepúsculo pela primeira vez para me apaixonar por livros, de novo, pela primeira vez. Queria receber de novo um primeiro elogio por algo que fiz. Queria poder voltar a cair no chão e não passar duas semanas reclamando de dor feito uma velha. Queria voltar a minha festa de 15 anos e dançar a valsa direito com meu pai. Queria ler Harry Potter na minha infância para poder dizer que cresci com ele.
            Não me entendam mal, eu gostei de crescer. Meu sonho de infância era fazer 18 anos e parar aí. Por enquanto tô de boa. O que não gostei foi de perder um pouquinho de mim mesma a cada aniversário comemorado. Sinto que sou cada vez mais uma ilusão, uma casca daquilo que um dia um fui.
            Minha vida se resume a nostalgia. Não gosto de pensar no presente, eu gosto de lembrar e de planejar – e nunca realizar. Parafraseando o incrível John Green (ou melhor, sua mítica esposa, the Yeti): Imaginar o futuro é um tipo de nostalgia. E eu vivo assim, numa transe entre o passado e o futuro, no limbo chamado nostalgia.


            Érica

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