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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

orvalho

Inspirado pelo Suéter Azul, o primeiro da competição de Slam do livro Slammed.


Lembra a primeira vez que você disse que me amava?
Era o primeiro dia de junho e eu você havia me comprado aquela camiseta verde. Aquela que você disse que deixava meus olhos como um jardim com orvalho, aquela que você colocou seu perfume nela para me lembrar que eu era sua. E que você era meu. Você sorriu pra mim e disse que amava meus olhos, que amava meu sorriso, que me amava. Eu chorei e disse que eu também te amava.

Lembra da primeira vez que dormimos juntos?
Era Halloween e nós não comemoramos isso aqui. Eu estava usando aquela camiseta verde que você me comprou. Aquela que você disse que deixava meus olhos como um jardim com orvalho, aquela que você colocou seu perfume nela para me lembrar que eu era sua. E que você era meu. Eu não quis tirar a camiseta e você disse tudo bem. Era sua primeira vez também.

Lembra de quando você me pediu em casamento?
Era Natal e convidamos nossas famílias para nosso apartamento. Eu estava usando aquela camiseta verde que você me comprou. Aquela que você disse que deixava meus olhos como um jardim com orvalho, aquela que você sempre coloca seu perfume para lembrar que eu vou ser sempre sua. E que você será sempre meu. Quando chegou meia noite, você chamou todos para a sala e se ajoelhou em minha frente. Você tentou dizer algumas palavras ensaiadas até que suspirou e disse um “foda-se” na frente de sua bisavó. Você olhou nos meus olhos e disse que me amava e que queria passar o resto da vida comigo. Eu chorei e disse que também queria passar o resto da minha vida com você.

Lembra de quando você chorou no meu colo?
Era logo após o Ano Novo e nossas famílias haviam acabado de ir embora. Eu estava usando aquela camiseta verde que você me comprou. Aquela que você disse que deixava meus olhos como um jardim com orvalho, aquela que você esqueceu de colocar seu perfume para me lembrar que eu sou sua para sempre. E que você é meu. Isso sempre seria assim, eu pensei, enquanto acariciava seu cabelo e segurava minhas próprias lágrimas em uma vã tentativa de parecer forte.

Lembra da ultima vez que você disse que me amava?
Era o quinto dia de novembro e você sabia que não sobreviveria até meu aniversário em dezembro. Você estava segurando aquela camiseta verde que você me comprou. Aquela que você disse que deixava meus olhos como um jardim com orvalho, aquela que eu comecei a colocar meu perfume para lembrar que você será sempre meu. E que eu sempre serei sua. Você beijou minha barriga e pediu para que eu lembrasse todos os dias para nossa filha de como você era. Você disse que me amava e que eu não deveria duvidar que você continuaria me amando, mesmo havendo o simples obstáculo da morte. O simples e eterno obstáculo da morte.

Lembra da primeira vez que nossa filha visitou seu túmulo sozinha?
Havíamos brigado. Era dia dos pais e eu estava triste. Ela também. Ela estava usando a camiseta verde que você me comprou. Aquela que deixavam os olhos verdes dela como um jardim com orvalho, aquela que não tinha mais perfume algum e que ficava um pouco folgada. Ela pediu para sua mãe a levar até o cemitério e pediu que ela esperasse no carro. Ela chorou. E levou nossas flores favoritas. Ela levou as tulipas brancas. Ela conversou com você, ela disse que te amava e disse que não havia passado um dia sequer que eu não falei de você. Eu não deixei que ela esquecesse de você. Eu nunca esqueci de amar e me sentir amada por você.


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